Recomendações em relação a games e outras mídias: o que os especialistas dizem? (Parte 1)



Muitas vezes se escuta…

“games viciam”, “games fazem com que as crianças se isolem”, “deve-se evitar que as crianças interajam com games e dispositivos como smartphones e tablets antes dos 12 anos”, e tantas outras afirmações…

Este post do Que jogo é esse? constitui a primeira parte de uma discussão que busca desmistificar alguns destes pontos e ajudar os pais, avós, tios, cuidadores, professores e demais adultos e/ou profissionais interessados neste universo.

Vamos começar pelo posicionamento da Academia Americana de Pediatria (AAP) que, em 2018, atualizou uma série de recomendações sobre o uso saudável de mídias digitais. Após cada recomendação apresento a visão do Que jogo é esse? para games 😉

  • Cada família deve estabelecer seu próprio plano de uso de mídia, dado que vai envolver valores e outros aspectos parentais. Inclusive, o uso correto pode contribuir no cotidiano, mas seu uso inadequado resulta em prejuízo no que se refere à interação, exercícios, tempo em família, sono etc. Assim, a família deve deliberar que game é ou não adequado para as crianças e adolescentes, além de atentar para questões que se voltem ao equilíbrio em relações a outras atividades e formas de interação.
  • Os limites para ambientes reais também se aplicam aos virtuais, ou seja, saiba o que as crianças estão jogando, com quem, além de ter dimensão dos sites e outras atividades online.
  • Estabelecer limites (veja o post Por que o tempo de jogo não deve ser o regulador de jogos digitais, que discute o tempo de jogo) e estimular atividades e brincadeiras ou jogos offline, o que contribui para o exercício da criatividade. Em relação aos games, também é possível sugerir interações com propostas abertas como o caso do Minecraft (abordado no post Por que os games podem constituir ferramentas para aprendizagem formal).
  • O tempo de jogo ou interação com dispositivos não precisa ser sozinho. Como já discutido aqui no Blog jogar pode ser uma atividade familiar, proporcionar interações e conversas significativas, além de constituir um veículo para a aprendizagem. Ou seja, fazer parte da vida das crianças e adolescentes também é conhecer e interagir com eles, pois além de divertido pode proporcionar diferentes possibilidades de comunicação, troca de experiências e solidificação de laços.
  • Outro aspecto relevante é o do exemplo online. Os pais ou demais adultos constituem exemplos que são imitados, por isso, interagir, abraçar, olhar, brincar, e também falar sobre boas maneiras e etiqueta digital são fundamentais. Os conteúdos e narrativas dos games podem constituir pontos de partida para discussão de diferentes assuntos, comportamentos e atitudes; ao desempenhar um personagem no contexto do game a criança ou adolescente toma determinadas decisões e vê, em seguida, o desdobramento das mesmas, sendo que os pais ou adultos que acompanham a criança podem estabelecer um diálogo a partir dos diferentes aspectos presentes.
  • Estabelecer momentos desconectados. Ou seja, em refeições, reuniões familiares e sociais, assim como evitar deixar a TV ligada como elemento ambiente, além de preferencialmente não ter equipamentos no quarto. Tais aspectos também valem para os games, ou seja, reuniões e refeições devem ser realizadas sem jogos ou dispositivos, e os consoles não devem ficar ligados sem uso.
  • A AAP usa o termo “chupeta emocional” para denominar o uso de tecnologia para acalmar crianças e as manter entretidas, sendo que é preciso que elas desenvolvam formas de lidar com emoções e encontrem estratégias para canalizá-las. Em relação aos games costumo chamar a atenção para o fato de que estes não são babás eletrônicas de luxo (assunto abordado no bate-papo com os pais das crianças do projeto Curumim – SESC) e que pais e adultos devem estar atentos ao que as crianças e jovens fazem em games e ambientes online. Então, que tal da próxima vez perguntar: “Que jogo é esse?” 😀
  • E aí, qual sua opinião sobre estes pontos? Comente abaixo ou se preferir me mande um e-mail em contato@quejogoeesse.info. Continuamos a discussão no próximo post… até lá!

 

Visualizações: 16

 

 

December 5, 2018

Tags: , , ,

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *