Pensamento computacional e políticas públicas

Dando continuidade à série do Que jogo é esse? sobre pensamento computacional, hoje vou tratar de como esta perspectiva tem sido trabalhada por órgãos e instituições ao redor do mundo. Geralmente quando se pensa em movimentos como este logo se diz:

Ah, mas isso é passageiro… Mais um modismo da educação, mais uma estratégia para o comércio de materiais, mais uma estratégia para poucos que tenham acesso… Será?

Instituições e organizações voltadas à divulgação do pensamento computacional

Code.org

Neste cenário destacam-se as iniciativas como a do Code.org®, órgão sem fins lucrativos que busca ampliar a presença da ciência da computação no contexto escolar de maneira que este integre o currículo básico, que nos EUA é denominado de STEM (science – ciência, technology – tecnologia, engineering – engenharia e mathematics – matemática), bem como outras áreas como física, biologia, álgebra e química. Os números atuais expressam o movimento, a dimensão desta proposta: em torno de meio milhão já usou a “hora do código”, há mais de 20 milhões de contas de estudantes cadastradas no Code Studio. Crie a sua também (sendo que é possível ter um perfil de professor – e estabelecer turmas e acompanhar o progresso dos estudantes, fazer cursos de uso da proposta por faixa etária, além de encontrar planos de aula, relação com currículo, vídeos, etc – ou estudante).

Você professor, explore, compartilhe ideias, sacadas, movimente a sala de aula!

Você pai, mãe, avô, avó, tio, tia, padrinho, madrinha, responsável, discuta em casa com seu filho, com seu neto, seu sobrinho, seu afilhado, seu tutelado, transforme estas atividades lúdicas em momentos familiares de interação, de significado, construa memórias com as pessoas mais importantes das suas vidas! e praticamente meio milhão já usou a “hora do código”.

Nos termos do próprio Code.org:

Ciência da Computação empodera os estudantes para criarem o mundo do amanhã.

Cursos para crianças Code.orgOu seja, é tornar acessível aspectos pertinentes à forma de pensar desta área aos chamados “iniciados”. Para isso este órgão disponibiliza um currículo com materiais de apoio para uso em sala de aula, sendo que a elaboração de games se torna uma atividade divertida e que permite exercitar tais conceitos.

E tem mais…

O pensamento computacional como foco de políticas públicas

Essa aplicabilidade no dia-a-dia faz do pensamento computacional um elemento que requer ações para sua divulgação e implementação de maneira mais ampla na esfera educacional, tornando-o foco de políticas públicas educacionais, ou seja, programas governamentais voltados a ações que buscam efeitos específicos no âmbito da educação.

Inclusive, da mesma forma que há políticas públicas redistributivas (cujo objetivo é redistribuir a renda por meio de programas de bolsa, financiamentos, isenções, distribuição de alimentos, etc.), também há as distributivas (destinadas, por exemplo, a implementar um determinado projeto educacional, como é o caso específico do tema deste post). As políticas públicas educacionais são implementadas por meio de programas e projetos estabelecidos em decretos e portarias.

Inclusive, o pensamento computacional tem constituído pauta de políticas públicas, pesquisas e ações desenvolvidas pelo governo americano (no montante de 4 bilhões de dólares para os estados e 100 milhões para os distritos implementarem propostas práticas), por universidades e por empresas. Dentre estas iniciativas, destaca-se a do ex-Presidente Obama de “Ciência da Computação para Todos” (Computer Science for All Iniciative) do State of Union Address, cujo intuito é oferecer aulas práticas de matemática e informática a partir da premissa que estas exercerão impacto futuro no âmbito profissional.

Ainda no âmbito americano, a Universidade Carnegie Mellon possui um Centro de Pesquisas voltado ao Pensamento Computacional, o Center for Computational Thinking, patrocinado pela Microsoft Research, coordenado pela própria Jeannette Wing. Este agrega artigos científicos, linguagens, comunidades, projetos, iniciativas, relatórios, palestras e seminários sobre o assunto. Contudo, a atividade principal deste centro é o que se denomina de PROBE (PROBlem-oriented Exploration), proposta de apresentação de conceitos computacionais de forma a ilustrar seu valor pela sua aplicação a problemas de quaisquer áreas, envolvendo um pesquisador de ciência da computação e um especialista do domínio em questão.

Já a Google implementou uma proposta denominada de Google for Education, iniciativa que engloba ambientes de programação, materiais educacionais, competições anuais, elementos ligados à carreira e bolsas de estudo/financiamento ao redor do mundo.

Meninas Digitais Projeto SBC

No Brasil há iniciativas como o Programa “Meninas Digitais”, cujo objetivo é trabalhar com lógica de programação junto a alunas do Ensino Médio e Fundamental II da rede pública de Rio Grande (RS), promovendo a interação com Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), bem como para motivar e incluir este público para seguir carreira em áreas tecnológicas. Ressalta-se, contudo, que as aulas não excluem os meninos e que fazem uso de Scratch e Code.org.

 

Portanto, cada vez mais as mudanças contemporâneas alteram a vida e o próprio trabalho. Para ter uma oportunidade futura diante da economia que se apresenta destaca-se a necessidade de domínio das ferramentas tecnológicas que modificam a forma de atuar em relação a quase tudo.

Por isso, professor, o que é possível fazer diferente na sua sala de aula? Que ferramentas ou estratégias podem contribuir para que seus estudantes desenvolvam as habilidades fundamentais para exercer atividades profissionais e mesmo para aprender nos próximos anos? Vamos discutir a respeito? Coloque seu comentário abaixo, vamos fazer das escolas um espaço para desenvolver amplamente as diferentes habilidades dos estudantes. Vamos revolucionar a educação!!

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