Por que é preciso atentar para a classificação indicativa dos games

Dando continuidade ao tema da semana passada do blog Que jogo é esse? (Por que o tempo de jogo não deve ser o regulador de jogos digitais), este é o segundo de cinco posts sobre os maiores mitos envolvendo jogos digitais e crianças ou adolescentes. Neste tratarei do mito da classificação indiciativa…

Não tem problema deixar a criança interagir com um jogo digital cuja classificação está acima de sua faixa etária.

Será mesmo!?

Bem, gostaria de começar com uma pergunta:

Se seu filho tivesse entre 8 e 10 anos, você deixaria ele assistir a um filme indicado para maiores de 18 anos?

Provavelmente, a grande maioria das respostas seria não…

 

Por que no caso do game é diferente?

O jogo digital é uma mídia interativa, mais do que ver um conteúdo inapropriado, a criança ou adolescente pode manipulá-lo repetidas vezes. Aliás, infelizmente muitos pais ou responsáveis desconhecem o conteúdo dos jogos digitais com os quais seus filhos se divertem. Alguns jogos as crianças ganham de parentes, outros eles pedem como presentes no aniversário, no Dia da Criança ou no Natal.

Um exemplo clássico é o Grand Theaf Auto (GTA). GTA é uma franquia de games de ação que explora violência, gangues, roubo, atropelamento, nudez, sexo, linguagem de baixo calão (palavrões), álcool e drogas. O game pauta-se em matar membros de gangues rivais, ou mesmo policias e civis, realizar assaltos, etc. Além disso, apresenta conteúdo adulto, dentre os quais pode-se citar strip-tease, alteração da percepção por meio do consumo de drogas ou álcool. Por estes motivos, é um game 18+, mas infelizmente muitas vezes se torna parte do cotidiano de crianças na faixa dos 8 a 10 anos.

Outro exemplo, completamente diferente, diz respeito aos jogos para alfabetização. Existem questões cognitivas e de motricidade envolvidas neste processo, mas vários pais, no intuito de acelerar a aprendizagem, compram e disponibilizam tais games para crianças na faixa dos 2 anos, sendo que, na maioria dos casos, nem a linguagem nem a coordenação motora encontram-se num patamar adequado para suportar tal processo. Em decorrência disso, a criança pode não conseguir jogar, ou seja, falhar no processo e não completar as fases (levels). Este “fracasso”, decorrente da inadequação em relação à faixa etária, pode levar a criança a pensar “eu não consigo”, e essa mensagem de “eu não sou capaz de realizar algo” pode gerar insegurança, sentimento de frustração, etc., se refletindo em outras áreas de sua infância e mesmo de sua vida. Só que neste caso há uma diferença: não há informação pertinente a este aspecto na classificação indicativa, sendo ideal buscar informação especializada com professores, coordenadores educacionais e outros profissionais especializados (este blog assume o compromisso de realizar discussões neste sentido também).

Infelizmente, casos de jogos impróprios (por conta do conteúdo ou das habilidades e competências requeridas) fazem parte do cotidiano, por isso é importante verificar as informações dos jogos que as crianças pedem ou mesmo que são presenteadas.

 

O que é, e como verificar a classificação indicativa dos games?

A classificação indicativa de games constitui um instrumento de orientação sobre o conteúdo dos jogos digitais. Neste sentido, cabe destacar que a mesma envolve aspectos como violência, linguagem utilizada e tipo de conteúdo presente. Abaixo encontram-se alguns dos sistemas adotados em diferentes localidades (sendo que, em futuros posts, este blog apresentará exemplos de games classificados em diferentes categorias).

Classificação IndicativaNo Brasil, a Classificação Indicativa (Classind) fica a cargo da Coordenação de Classificação Indicativa (Concid), que faz parte do Departamento de Políticas de Justiça (DPJUS), sendo estruturada da seguinte maneira:

  • Classificação brasileiraClassificação Livre
  • Classificação 10 anos
  • Classificação 12 anos
  • Classificação 14 anos
  • Classificação 16 anos
  • Classificação 18 anos

Esta estruturação pode ter agravantes ou atenuantes, ou seja, dependendo do caso pode-se reduzir ou aumentar a classificação indicativa conforme o tipo de conteúdo no que se refere à composição da cena, à relevância, à frequência, ao contexto, à insinuação, à motivação, etc.

esrbNa América do Norte esta regulação é feita pela Entertainment Software Rating Board (ESRB), sendo que a classificação é realizada da seguinte forma:

  • Early Chidlhood (até 3 anos, muitas vezes jogos educativos)esrb rating
  • Everyone (todas as idades)
  • Everyone 10+ (maiores de 10 anos)
  • Teen (maiores de 13 anos)
  • Mature (maiores de 17 anos)
  • Adults Only (maiores de 18 anos e adultos)

Inclusive, cabe destacar que uma explicação sobre a classificação encontra-se presente na contracapa do game, conforme pode-se ver na imagem a seguir:

local do esrb rating

pegi

Na Europa o sistema vigente é o da Pan European Game Information (PEGI), cujos elementos são:

  • PEGI 4 (para todas as idades)
  • PEGI 6 (acima de 6 anos, por possuir sons ou cenas que possam assustar a criança)
  • PEGI 12 (acima de 12 anos)
  • PEGI 16 (acima de 16 anos)
  • PEGI 18 (acima de 18 anos)pegi rating

 

 

Como proceder, então?

Como é possível perceber, as categorias são semelhantes, sendo que para todas vale o lembrete de analisar o conteúdo para avaliar sua adequação de acordo com a maturidade da criança e preceitos familiares, ou seja, os pais e/ou responsáveis devem sempre fazer uma curadoria em relação aos games com os quais as crianças e adolescentes interagem. Neste sentido, os pais ou responsáveis devem também observar o comportamento das crianças ou adolescentes ao jogarem e analisar se os desafios são saudáveis e podem contribuir para o desenvolvimento integral destes, e mesmo se estão se divertindo ou se a atividade está gerando estresse.

É importante, portanto, verificar a classificação indicativa do game, bem como atentar para o bom senso e para os princípios e valores familiares. Da mesma forma, é fundamental estabelecer um diálogo. Ou seja, sempre conversar com a criança ou adolescente para explicar a decisão tomada, de maneira que seja possível compreender que isso é para sua formação e segurança.

O diálogo é fundamental também pela questão de que quando a criança ou adolescente estiver na casa de amigos tenha consciência da decisão dos pais e possa se posicionar da melhor forma, explicando a situação. E também contribui para evitar que isso gere uma espécie de “vontade” ou “curiosidade” para, justamente por ser “proibido”, jogar em lugares que possa vir a ter acesso.

Além disso, também é importante pesquisar e conversar com especialistas quando possível (se desejar, por favor, escreva para contato@quejogoeesse.info, sua pergunta pode se tornar pauta deste blog e ajudar outros pais e responsáveis).

Até segunda-feira que vem!

 

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